Governo do Distrito Federal
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22/09/15 às 18h36 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Sessão solene na CLDF para pessoas com deficiência toca os X da questão

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Dia Nacional de Luta é comemorado desde 1982

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Sem apreender nada – assim estavam os deficientes auditivos (e assim também ficam os visuais, diante desta matéria no computador) no início sessão solene da Câmara Legislativa do Distrito Federal para comemorar o Dia Nacional de Luta da pessoa com Deficiência, pelo menos até chegar o intérprete de Libras Antônio Carlos, que “salvou a lavoura”, trabalhando durante todo o tempo.

Iniciativa da deputada Liliane Roriz, também relatora do Estatuto da Pessoa com Deficiência e com Mobilidade Reduzida no Distrito Federal, a sessão realizada na tarde desta segunda-feira, dia 21/9, reuniu pessoas com deficiência física, mental, auditiva e visual que superaram desafios de mobilidade para compartilhar críticas e esperanças de avanços.

Estado deficiente

A carência de políticas públicas para pessoas com deficiência alcança os três poderes e não poupa a CLDF, anfitriã, de críticas imediatas. Sueid Miranda Leite, do Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com. Deficiência do Brasil (Icep), disse que faria uma notificação ao Ministério Público em função de não ter havido tradução em Libras no início da sessão.

“Os órgãos públicos precisam ter seus intérpretes”, disse Paulo Beck, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos da (Semidh). Coordenador de Políticas de promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência,  Paulo Beck também explicou que cada intérprete de Libras deve descansar quarenta minutos após 20 minutos de trabalho.

Pleitos

Sem pausa, o intérprete de Libras Antônio Carlos trabalhou a tarde inteira e já quase extenuado traduziu o protesto de um integrante da comunidade surda, que se cansou de procurar trabalho.

“Aqui na Câmara legislativa não vejo nenhum surdo, em nenhuma diretoria”, disse.  Segundo ele, “o surdo seria muito importante para a Casa e para a cultura da Casa”. Ela  o surdo se forma, tem faculdades, tem pós-graduação, mas não tem acesso a um emprego bom, porque as empresas dão subempregos ao surdo.

Vice-presidente da CLDF, a deputada Liliane prometeu, na próxima reunião da mesa-diretora, colocar o pleito para que a CLDF contrate dois intérpretes de Libras. A deputada foi saudada pela diretora do Centro de Ensino Especial 2, profª. Márcia Serafim, por ter conseguido aprovar emenda em favor para a reforma da piscina.

Com camisetas escolares brancas, gola vermelha ou azul, vermelhas azuis ou amarelas com o número de telefone às costas, os alunos do CEE 2 eram maioria no público do auditório Jorge Cauhy, embora uma pequena amostra dos 564 alunos com deficiência intelectual e deficiências múltiplas atendidos pela escola.

Conscientização

A palavra-chave da tarde foi conscientização, tanto das pessoas com deficiência quanto da própria sociedade, cujos integrantes estão sempre passíveis de adquirir, em determinada altura ou circunstância da vida, algum tipo de deficiência que as faça experimentar as dificuldades que algumas pessoas enfrentam a vida inteira, disse o diretor das Clínicas de Reabilitações do DF, Leandro Giordano.

Segundo ele, a legislação entregou muitas armas a pessoas com deficiência. “Discriminação é crime”, lembrou. No entanto, ainda se ouvem argumentos como o de que “o piso tátil não é colocado porque fica feio”. Essa “questão estética”, segundo Paulo Beck, também é arrolada pela TV quando diz que o quadradinho com a tradução em Libras “atrapalha”.

Também compuseram a mesa o Secretário de Desenvolvimento Humano e Social, Marcos Pacco, e Sirlei dos Campos Ribeiro, um dos militantes veteranos da questão presentes à sessão. Em Brasília desde 1980, Sirlei lembrou a “barra” que foi tirar as barras que afunilavam os passageiros até chegar a roleta do cobrador e impediam a passagem de qualquer cadeirante.

“Só uma linha de ônibus não tinha isso, a que levava para a rodoferroviária”, disse Sirlei. “Quando fomos saber por quê, ouvimos que era para permitir o embarque das malas – ou seja, a mobilidade da gente valia muito menos que uma mala”.