Governo do Distrito Federal
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21/09/12 às 17h09 - Atualizado em 29/10/18 às 11h13

Riacho Fundo I também está na luta contra a violência doméstica

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Hoje, a manhã das moradoras e moradores do Riacho Fundo I começou de um jeito e terminou de outro. Isso porque elas participaram do “Mutirão de Informação, Formação e Cidadania”, uma iniciativa da Secretaria da Mulher e parte integrante do programa Rede Mulher. Após intensos debates sobre a Lei Maria da Penha e as questões de gênero, elas saíram do auditório da Administração Regional com um novo olhar sobre a sua condição de cidadã.

Cerca de 50 pessoas, incluindo homens e mulheres, participaram da atividade. Entre os presentes, estavam a secretária de Estado da Mulher do Distrito Federal, Olgamir Amancia; o administrador regional do Riacho Fundo I, Artur Nogueira; a primeira-dama da XVII Região Administrativa, Ana Lúcia Melo; a coordenadora do Posto da Família, Dalva de Brito; e as delegadas da Polícia Civil Ana Cristina Melo e Maria do Carmo.

A atividade começou com um breve discurso do administrador, que enalteceu o trabalho da SEM-DF e o poder das moradoras da cidade. “Espero que vocês saiam daqui com uma nova visão sobre os seus direitos e se tornem multiplicadoras do conhecimento compartilhado. O trabalho que a Secretaria da Mulher vem desenvolvendo é uma ponte para que toda a sociedade se engaje à luta pela emancipação e autonomia das mulheres. E vocês fazem parte desse movimento”, disse Artur Nogueira.

Após a solenidade de abertura, a subsecretária de Políticas para as Mulheres, Sandra Di Croce Patricio, iniciou o “Mutirão de Informação, Formação e Cidadania” explicando aos presentes a proposta da atividade. Na sequencia, a coordenadora do programa, a servidora Cláudia Afonso, fez uma pequena palestra explicando o que é a Lei Maria da Penha, o motivo que leva o Brasil a ter uma lei específica para as mulheres e, ao final, respondeu as dúvidas das participantes.

Logo depois, a secretária Olgamir Amancia contou um pouco sobre os movimentos que levaram à sociedade a encarar a mulher como um ser minorizado; como o machismo influencia no cotidiano de todos; como o sistema patriarcal está presente, até hoje, nas comunidades; e o quê a Secretaria da Mulher busca ao realizar atividades como os mutirões. “A luta da nossa pasta é pela construção de uma sociedade baseada na equidade de gênero, onde as mulheres sejam reconhecidas como cidadãs de direito”, explicou Amancia.

Depois de tanto conhecimento compartilhado, chegou a hora das participantes colocarem a mão na canetinha e no cartaz. Assim, elas participaram da última atividade da programação, que era o jogo “As mulheres dão as cartas”. Nesta parte, a SEM-DF divide as participantes em grupos – foram formados nove times, com uma média de quatro participantes cada. Cada carta continha uma pergunta acerca do que foi debatido durante as palestras e as presentes tinham que discutir, junto às demais da sua equipe, o assunto e formular uma resposta.

No mutirão do Riacho Fundo I, os participantes decidiram que, acerca das relações de gênero:

1. As mulheres devem denunciar seus companheiros em caso de violência porque se trata de um crime. Devem denunciar para fazer o homem entender que, se cometer violência, terá que pagar por isso. Para resolver conflitos é preciso haver: diálogo, compreensão, respeito e confiança;
2. Não é aceitável um homem xingar e insultar sua companheira. A agressão psicológica acaba com a autoestima da mulher, ocorrendo um desequilíbrio psicológico e familiar. Essa atitude traz insatisfação, insegurança, depressão, desgosto e graves consequências, principalmente, para os filhos que presenciam essas agressões. Não podemos nos calar. Diga não à violência;
3. Não é correto o homem controlar as ações, o comportamento e as decisões da mulher. A mulher deve ser respeitada em seus direitos e vontades, pois caso contrário ela continua a ser violentada. A base de uma relação feliz passa pelo respeito mútuo;
4. Homens agridem fisicamente as suas companheiras porque muitas vezes se acham superiores às mulheres. Também agridem por ciúme, por causa do consumo de bebidas alcoólicas e de drogas. Homens que batem, matam e falam que amam as mulheres diminuem o significado do amor;
5. O autor de violência doméstica e familiar é um monstro e, para ele, deve ser aplicada a Lei Maria da Penha. Agressores devem passar por acompanhamento psicológico em centros de reeducação;
6. A família é o espelho das crianças e adolescentes – ao presenciar violência em casa, elas irão reproduzir essa violência na sociedade. Muitas vezes, as próprias crianças e adolescentes também sofrem violência diretamente, tornando-se doentes psicológica e fisicamente. Desenvolver projetos da Secretaria da Mulher nas escolas seria uma boa forma de conscientizar os jovens e as crianças sobre os direitos das mulheres;
7. Meninas e meninos não são educados da mesma maneira quando o assunto é cuidar da casa e da família. Cobra-se mais das meninas, porém devemos conscientizar as famílias e a sociedade de que os meninos têm as mesmas obrigações que as garotas;
8. As mulheres precisam de mais preparo profissional e intelectual para que possam fazer a diferença ao ocuparem mais cargos de poder. A mulher é honesta e sensível nas discussões referentes a questões políticas, familiares e comunitárias.

A carta gerada formará uma página de um livro que a Secretaria da Mulher irá produzir ao final de todos os mutirões – “Cartas das Mulheres do Distrito Federal”. Ela também será enviada a todas as moradoras que participaram da atividade e, na sequência, será realizada uma caminhada com distribuição do material, juntamente com a cartilha Lei Maria da Penha, cujo objetivo é multiplicar o conhecimento gerado pelas lideranças femininas.