Governo do Distrito Federal
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6/03/15 às 0h41 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Pesquisa mostra desigualdade de gênero e raça

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Estudos da Codeplan foram divulgados no Março de Todas as Mulheres

Brasília (05/03/2015) – Embora tenham mais escolaridade, as mulheres ainda ganham salários menores que os homens. As mulheres de Brasília, por sua vez, ganham mais que as mulheres da região metropolitana, o chamado Entorno. Já as mulheres negras têm renda salarial inferior à das mulheres não negras.

As desigualdades de gênero e raça foram mostradas nesta quinta (5), em pesquisa divulgada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). De acordo com o relatório, a renda média da mulher que trabalha no DF é de R$ 2.680 e a dos homens, de R$ 3.439.

A pesquisa “Mulheres no Distrito Federal e nos Municípios Metropolitanos: Perfis da Desigualdade”, que reúne quatro estudos, indicou diferenças econômicas e sociais não apenas entre mulheres e homens, mas também entre mulheres negras e não negras do DF e dos municípios goianos que compõem a região metropolitana de Brasília.

A divulgação dos estudos é parte da programação do Março de Todas as Mulheres, da Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semidh). “Essa pesquisa nos ajuda a traçar os caminhos necessários para atingir nosso objetivo maior, que é a inclusão social e a igualdade”, afirmou a secretária da pasta, Marise Nogueira.

Machismo – Apesar de as mulheres representarem mais da metade dos 2,8 milhões de habitantes do DF, os homens são os chefes da casa, independentemente de serem ou não provedores da renda. O relatório aponta que 72% dos lares são chefiados por homens e que 89% das mais de 230 mil mulheres que declararam serem chefes de casa não moram com homens.

“Os dados mostram a reprodução cultural do machismo nos laços de chefia”, resumiu o coordenador-geral do projeto, Flávio Gonçalves, diretor de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan. Os dados também sugerem que 87% dos homens responsáveis pelos domicílios contam com mulheres no lar para dividir as atividades.

Racismo – A pesquisa também destacou diferenças entre mulheres declaradas negras e não negras. As negras representam 55% do segmento feminino no DF e 66% na região metropolitana. “O racismo, às vezes, faz mais diferença no tecido social do que o próprio machismo, e ambas as questões contribuem muito para a violência”, analisou a titular da Semidh, ao enfatizar que, entre as prioridades da Secretaria, “(o combete ao) racismo têm mais que o machismo”.

“A discriminação não é dupla, é cruzada, é múltipla”, afirmou a secretária, que agradeceu a Codeplan por demonstrar os dados estatisticamente da desigualdade social. “Sou exceção ao ter acesso ao nível superior, perceber salário até mais alto se comparar com o sexo masculino, mas não deveria ser assim. O papel do Estado é que não haja exceção”, reforçou a secretária.

Ela lembrou ainda que a desigualdade acontece em outros grupos e, praticamente, em todos os países. As mulheres continuam tendo uma situação inferior, sofrem violência pela ação do machismo e as negras mais ainda. “Os modelos ainda são sexistas, patriarcalistas, racistas. Daí a importância da criação Semidh”, destacou.

Mulher – Marise afirmou que a Secretaria vai ampliar a rede de atendimento à mulher no DF, com a construção de mais dois centros especializados de atendimento à mulher (Ceam) – atualmente são três – e mais um Núcleo de Atendimento à Família e Autores da Violência (Nafavd), somando dez, ao todo.

Além disso, ela anunciou para abril a inauguração da Casa da Mulher Brasileira do DF, um programa em parceria com o governo federal que vai reunir num só local todos os atendimentos a mulheres em situação de violência.

O presidente da Codeplan, Lucio Rennó, afirmou que os estudos são de grande utilidade para o Estado criar oportunidades e políticas de igualdade. Também participou da divulgação da pesquisa o professor e assessor da presidência da Codeplan, Aldo Paviani, e a deputada federal Erika Kokai (PT-DF).

Ascom Semidh com Agência Brasília e Ascom Codeplan