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Terça, 22 Março 2016

Engenheiros Sem Fronteiras sugerem tecnologias sociais para acampamento cigano

 

Brasília, 22 de março de 2016 – O grupo de trabalho constituído para construir o plano de ação Brasília Cigana realizou sua segunda reunião, na Sala dos Conselhos da Secretaria Adjunta de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. O encontro conheceu o trabalho da organização não governamental Engenheiros Sem Fronteiras (EsF-Brasília), que trabalha com tecnologias sociais.

De acordo com a engenheira Bárbara Bressan Rocha, as tecnologias sociais promovem o desenvolvimento sustentável com foco em comunidades carentes, baseando-se em soluções simples, de baixo custo, de fácil aplicação e que envolvem participação coletiva. Segundo ela, a organização EsF surgiu na França, nos anos 1980.

Os representantes da ESF-Brasília falaram sobre tecnologias de bioconstrução que proporcionam conforto térmico no inverno e no verão, tecnologias de saneamento que lidam com águas negras (dejetos) e águas cinzas (como a da pia da cozinha), técnicas de alimentação que reaproveitam partes descartadas de alimentos para compostagem e tecnologias de energias renováveis.

Permacultura
As tecnologias sociais dos Engenheiros Sem Fronteira se baseiam no conceito central de “permacultura” (uma cultura da permanência) e podem ser uma opção para os ciganos da etnia calon, assentados em duas áreas de Sobradinho conhecidas como Rota do Cavalo e Córrego do Arrozal, em iniciativa pioneira na América Latina, como frisa Seu Wanderley da Rocha, presidente da Associação das Etnias Ciganas do Brasil (Anec).

Grupo étnico socialmente situado à margem ao longo de boa parte da história brasileira, os ciganos hoje se sabem plenamente cidadãos e exigem políticas públicas que garantam as condições de se fixar nas terras que receberam permissão para usar.
Primeiro nome da dupla caipira “Cigano & Ciganito”, formada com um irmão, Jeferson da Rocha, e dono de muito bom humor, Seu Wanderley sempre brincava, quando não tinham banheiro químico, sobre como era constrangedora a hora em que uma visita pedia para ir ao banheiro. Agora não sofrem menos, com o banheiro químico instalado há um mês que não recebe manutenção. “A gente tem vergonha até da gente mesmo”, diz
Para sanar a carência no acesso a água, luz e saneamento básico, entre outras na educação, no transporte e na segurança pública, o grupo de trabalho tem costurado iniciativas que mobilizam várias secretarias e também a sociedade civil.

Representantes da secretaria de Cultura, Educação e Agricultura relataram levantamentos feitos sobre oportunidades (como a do Fundo de Apoio à Cultura, no qual os ciganos já se cadastraram como entes e agentes culturais e foram selecionados em um edital), requisitos formais (como a solicitação à Emater da emissão de um documento de acesso ao Programa Nacional de Agricultura Familiar) e necessidades possíveis (de capacitação de gestores e administradores de escola, ainda prévia à de professores; de capacitação de policiais, assistentes sociais, psicólogos, entre outros profissionais da linha de frente do atendimento social; de elaboração de cartilhas em chib, idioma dos calon etc).

Ações
No dia 25 de março, plena sexta-feira santa, os Engenheiros Sem Fronteira visitarão o acampamento da Rota do Cavalo, onde conhecerão as condições locais assim como o projeto que os próprios ciganos já têm acerca de como pensam a construção da área. Uma rifa de cesta de produtos orgânicos e uma festa beneficente para acontecer no acampamento cigano, em 24 de maio, Dia Nacional dos Ciganos também são pensados.
Assessora especial do gabinete da Samidh, Aline Menezes salientou a importância de as ações obedecerem sempre aos princípios da administração pública. A representante da Secretaria de Segurança Pública, Paula Regina Gomes, fez relato das visitas do grupo de trabalho ao batalhão da polícia militar e à delegacia de polícia, onde encontrou interlocutores abertos a se esclarecerem mais, alguns até confundindo os ciganos com o sem-terra que acampam também na região.

Presidente do Conselho de Segurança (Conseg) de Sobradinho, Hélio das Chagas participou da reunião e combinou a realização do próximo encontro do Conselho no acampamento da Rota do Cavalo, como uma oportunidade de integrar os ciganos ao trabalho do Conselho mas também de conhecer mais sua situação. O Conseg se reúne na última terça-feira de cada mês e a reunião na Rota do Cavalo deve acontecer no dia 29 de março.

Participaram também da reunião o diretor de políticas de diversidade étnico-racial, Murilo Mangabeira, a assessora da Coordenação de Políticas para Mulheres Eliane Maria Pereira, a assessora Patrícia Kopp, da Secretaria Adjunta de Desenvolvimento Social, a antropóloga e produtora Thayse Limeira, o servidor da Secretaria de Agicultura Lúcio de Queiroz Passos, o servidor da Secretaria de Cultura Ricardo Batista, a pós-graduanda da UnB Lenilda Perpétuo, os servidores da Secretaria de Educação Adriana Tosta Mendes e Wilson Barboza da Silva, o integrante da ESF Gilberto José Santana, e os ciganos, dirigentes da Anec e moradores da Rota do Cavalo Arthur Prado da Silva e Jeferson da Rocha.

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