Governo do Distrito Federal
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5/10/15 às 20h59 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Diálogo sobre suicídio LGBT mostra interesse do tema

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Debate promovido na Unb atrai comunidade

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Nesta quarta-feira, dia 29 de setembro, a Semidh pautou um debate sobre suicídio LGBT, realizado no Anfiteatro 10, no prédio do Minhocão, na Universidade de Brasília. Um vídeo de dez minutos, derivado de atividade realizada na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape), exposições sobre equipamentos e serviços ligados à questão e exposições de pesquisadores seguraram a atenção de cerca de setenta pessoas, entre 17h40 e 19h40.

Produzido a partir de curso realizado na Eape, durante o primeiro semestre, e postado no Youtube desde o dia 17 de setembro, o vídeo Abduzid@s trabalha com depoimentos de “sobreviventes”, intercalando trechos de histórias reais enquanto imagens parciais, de detalhes faciais ou corporais, em “plano fechado”, deixam anônimas, até o fim do vídeo, a face de cada um.

 

Retrocessos

Ivo Marçal Vieira Junior, Izabela Amaral Caixeta e Renata Turbay Freiria, três dos cinco produtores – além de atores do vídeo –, estiveram no Anfiteatro 10 e expuseram seus temores diante de dificuldades colocadas para abordar o tema diversidade na escola. Eles mencionaram um contexto de retrocesso político, marcado por perseguição e questionamento a abordagem dos temas ligados a gênero e orientação sexual.

Organizadora da atividade denominada Cine Diversidade, que motivou a produção do vídeo-manifesto d@s abduzid@s, durante o primeiro semestre, Gigliola Mendes lamentou que o poder legislativo tenha pedido relatórios e informações sobre a ação.

Uma das expositoras do diálogo programado pela Semidh, a professora Valdenízia Peixoto, do Departamento de Serviço Social da UnB entende que há um “projeto” em curso, que desafia o papel social, político e profissional que os professores podem e devem desempenhar.

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Vontade de voar

Assim como Valdenízia, a coordenadora de diversidade do Creas,
Ana Carolina Silvério – Carol – abordou o suicídio como um fenômeno que vai além de ser subjetivo, pois tem um entorno e um contexto objetivos, vinculado “a práticas violentas, naturalizadas ao longo da história”. No Creas Diversidade, hoje há dois grupos de convivência, um de homens trans e, outro, mais misto; estuda-se a possibilidade de um terceiro, para ou com familiares.

“É possível viver num mundo onde o coração tem vontade de voar”, disse Carol, lembrando verso de canção que compôs com sua companheira. Gerente de autonomia econômica e trabalho na Semidh, Ana Paula Bennet também leu um “Poema das palavras tristes”, acerca de vidas que abreviaram precocemente, deixando para os que ficam “o sofrimento, o lamento e a culpa”.

No mundo, morrem mais pessoas por suicídio que no trânsito, de acordo com Gilson Moura Aguiar, coordenador de Divulgação do Centro de Valorização da Vida, que tem um posto em Brasília e cuja sede fica em São Paulo. Também presente ao debate, o dr. Luis Fernando Marques mencionou o atendimento multidisciplinar do Adolescentro, que atende um público de 10 a 18 anos, na 605 Sul.

 

Efeito Werther

Larissa, uma estudante do mestrado em psicologia interessada nas questões do suicídio LGBT, esclareceu que o temor de que os meios de comunicação induzam ao cometimento do suicídio simplesmente por noticiá-lo se chama “efeito Werther”, em referência a ondas de suicídio supostamente associadas a edições e traduções do romance “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Wilhelm Goethe.

Segundo Larissa, hoje há manuais de boas práticas que mostram que o suicídio pode ser noticiado, desde que se evitem caminhos que levam ao sensacionalismo, à glamurização ou à apresentação didática de “métodos” e “meios”.

Organizado pela Coordenação de Promoção dos Direitos da Diversidade (Codiv) da Semidh, pela Diretoria de Diversidade da Universidade de Brasília e pelo Creas Diversidade, a atividade na UnB correspondeu ao 12º debate promovido pela Codiv, segundo Flavio Brebis.